Mercado em foco — perspectivas para 28 de setembro de 2026
A semana começa com a B3 em pregão regular — não há feriado nesta segunda-feira — mas o investidor doméstico chega a ela carregando uma bagagem pesada de sexta-feira. O Ibovespa encerrou o pregão anterior em queda de 0,27%, aos 183.476,86 pontos, a terceira sessão seguida no vermelho, num movimento que chamou atenção justamente por ir na contramão do que se via lá fora. Na semana cheia, o acumulado foi de -0,95%, com giro financeiro de R$ 23,99 bilhões na sexta, volume que não indica pânico, mas também não sugere convicção compradora.
Wall Street sobe, Brasil não acompanha
O contraste é o ponto de partida da leitura de hoje. Enquanto o Ibovespa recuava, os índices americanos fechavam a sexta-feira em alta consistente: o Dow Jones subiu 0,93%, para 51.828,62 pontos, recuperando-se de seu pior fechamento em mais de três meses; o Nasdaq avançou 0,48%, a 27.068,72 pontos; e o S&P 500 ganhou 0,51%, fechando aos 7.743,41. No acumulado da semana passada, o Nasdaq disparou 2,1%, puxado pela força das techs, enquanto o S&P subiu 1,2% e o Dow, mais modestamente, 0,3%. O gatilho foi o petróleo: o WTI recuou 2,3%, para US$ 92,41 o barril, revertendo a escalada das duas sessões anteriores, após o chanceler iraniano sinalizar em Nova York — à margem da Assembleia Geral da ONU — condições para uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias. É uma notícia que, se confirmada em desdobramentos concretos, tende a aliviar prêmios de risco geopolítico embutidos no barril, e vale monitorar o desempenho de papéis como Petrobras e Prio na abertura de hoje, sensíveis a esse tipo de sinalização.
Do lado dos juros americanos, contudo, o quadro segue apertado: o rendimento do Treasury de 10 anos rondava 5,16% e o de 30 anos, 5,48%, patamares elevados que continuam sendo um contrapeso ao apetite por risco em mercados emergentes — Brasil incluso. É um fator que ajuda a explicar por que o alívio em Wall Street não necessariamente se traduz em fluxo mais generoso para os ativos locais.
Fatores domésticos pesaram mais que o exterior
A queda do Ibovespa na sexta teve motivação claramente doméstica. De um lado, a nova pesquisa Datafolha, divulgada na véspera, mostrou a disputa presidencial ainda acirrada: Lula com 40% no primeiro turno contra 36% de Flávio Bolsonaro, e 47% a 45% num eventual segundo turno — diferenças dentro da margem de erro, o que mantém o mercado precificando incerteza eleitoral como vetor de volatilidade ao longo de toda a semana. De outro, a prévia da inflação oficial decepcionou: o IPCA-15 de setembro veio em 0,70%, elevando o acumulado em 12 meses para 4,47%, ante 4,24% no período anterior — um sinal de que o processo de desinflação perdeu fôlego, o que tende a manter o mercado cauteloso quanto à trajetória futura dos juros, mesmo sem reunião do Copom nesta janela.
O que observar nesta semana
A agenda é carregada. Hoje, o destaque fica com o Boletim Focus, além dos dados de investimento estrangeiro direto e transações correntes de agosto. Amanhã saem taxa de desemprego, IGP-M e Caged no Brasil, com confiança do consumidor e JOLTS nos EUA. Quarta-feira traz dívida pública, resultado orçamentário e fluxo cambial; quinta-feira, o PMI Industrial; e sexta-feira, IPC-Fipe e produção industrial por aqui, culminando no Payroll americano de setembro — o indicador mais aguardado pelo mercado global nesta janela. Do lado externo, vale lembrar que a China divulga PMIs na terça, mas entra em feriado prolongado a partir de quinta (Golden Week), o que deve reduzir a liquidez asiática justamente na reta final da semana.
No câmbio, o dólar encerrou a sexta-feira na casa de R$ 5,18/5,19, e o comportamento de hoje merece atenção redobrada diante da combinação de petróleo em queda, yields americanos ainda pressionados e o ruído eleitoral doméstico que não dá sinais de arrefecer tão cedo.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças