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Mercado em foco — perspectivas para 6 de outubro de 2026

O mercado brasileiro acorda nesta terça-feira ainda sob o efeito de um dos pregões mais extraordinários dos últimos anos. Depois de o Ibovespa disparar 7,70% na segunda-feira, rompendo pela primeira vez na história a barreira dos 200 mil pontos e tocando máxima intradiária de 209.605,70 pontos, a pergunta que fica para hoje é simples: o que vem depois de um rali dessa magnitude?

O gatilho: o resultado do primeiro turno

Tudo começou no domingo, com a apuração do primeiro turno da eleição presidencial. Flávio terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos (56.103.033 votos), seguido por Lula, com 45,16% (53.870.724 votos). Como nenhum dos dois atingiu os 50% necessários para vencer em primeiro turno, a disputa segue para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, com propaganda eleitoral gratuita ao ar entre 9 e 23 de outubro. Na prática, isso significa que o calendário político — não apenas o econômico — vai continuar pautando o humor dos investidores nas próximas semanas.

Uma reação de mercado histórica, mas que merece ceticismo saudável

O apetite por risco doméstico foi evidente em todas as frentes. Além do recorde do Ibovespa, com volume financeiro de R$ 103,30 bilhões no pregão, o dólar caiu 4,45% logo na abertura de segunda, cotado a R$ 4,984 na venda às 9h28, rompendo o piso de R$ 5 pela primeira vez desde maio. No acumulado, outubro já soma alta de 11,04% para o Ibovespa, e o ano chega a 28,42% — números expressivos por qualquer régua histórica.

Vale, no entanto, um contraponto que vale a pena repetir: o movimento foi essencialmente doméstico. O DXY, índice que mede a força do dólar frente a moedas de países desenvolvidos, subiu 0,21%, a 102,15 pontos, no mesmo dia em que o real se valorizava com força. Ou seja, o mundo não ficou mais otimista com o dólar — o Brasil específico é que ficou mais otimista com o real. Como resumiu André Matos, CEO da MA7 Capital, “é um pregão que o dólar saiu de 5,22 para menos de 5,00 e a bolsa saltou de 192 mil para a casa dos 200 mil pontos, mas nada na economia real mudou entre sexta e segunda”. É uma ponderação que merece ficar no radar de quem acompanha o mercado: parte relevante do movimento é leitura de risco político, não mudança de fundamentos econômicos.

Wall Street também comemorou, mas por outros motivos

Em Nova York, o pregão de segunda também foi de alta, mas puxado por dados mais fracos de inflação e emprego nos Estados Unidos, que reduziram a aposta em juros mais altos do Fed. O Nasdaq fechou em nova máxima histórica, a 27.477,31 pontos (+1,1%); o S&P 500 subiu 0,7%, a 7.773,95 pontos; e o Dow Jones avançou 0,2%. Na Ásia, o Nikkei disparou 2,4%, enquanto China continental e Coreia do Sul permaneceram fechados por feriados.

O que move o pregão de hoje

A agenda doméstica desta terça é mais técnica do que propriamente de mercado: às 8h, o Banco Central divulga a ata da reunião do Copom de 15 e 16 de setembro, sempre lida com lupa em busca de pistas sobre o início de um eventual ciclo de corte da Selic, hoje em 15% ao ano. Completam o dia o Boletim Macrofiscal da Fazenda, o resultado da arrecadação federal de agosto pela Receita e a balança comercial de setembro.

Com o rali de segunda já precificado, a tendência natural é de digestão técnica — o mercado tentando separar o que é mudança estrutural de risco fiscal do que é apenas alívio pontual com o resultado eleitoral. Novas pesquisas para o segundo turno, que começam a circular nos próximos dias, tendem a ganhar peso crescente na formação de preços, assim como o IPCA de setembro, que sai na sexta-feira e deve funcionar como o próximo grande termômetro para a curva de juros.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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