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Mercado em foco — perspectivas para 7 de outubro de 2026

O mercado brasileiro chega a esta quarta-feira digerindo uma semana que já nasceu histórica. Depois do salto de 7,70% do Ibovespa na segunda-feira — reação direta ao resultado do primeiro turno das eleições, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — veio a realização de lucros natural de terça-feira, com o índice recuando 0,52%, a 205.835 pontos. É o movimento clássico de “sobe o foguete, desce a poeira”: depois de uma alta daquela magnitude, com o Ibovespa oscilando mais de 14 mil pontos entre mínima e máxima numa única sessão, uma pausa para respirar era praticamente inevitável.

O que puxou as perdas de ontem

Banco do Brasil (BBAS3) liderou o tombo, caindo 5,51%, seguido por RAIL3, AXIA3 e PRIO3. Do lado oposto, Minerva (BEEF3), Cogna (COGN3) e Vamos (VAMO3) subiram, beneficiadas pela expectativa de queda de juros à frente. É um recorte que mostra o mercado ainda tentando calibrar quem ganha e quem perde num cenário em que o segundo turno, marcado para 25 de outubro, é visto pelos profissionais como de virada pouco provável — o que, na prática, já está sendo precificado pelos ativos domésticos.

Dólar flertando com os R$ 5,00

No câmbio, a moeda americana encerrou terça-feira em R$ 4,976, terceira queda consecutiva. É sintomático que analistas já comentem abertamente a possibilidade de o dólar se estabilizar abaixo dos R$ 5,00 nas projeções — um nível psicológico importante depois de meses de pressão altista. Vale o contraponto: o Boletim Focus da própria segunda-feira ainda projeta o dólar em R$ 5,20 para o fim do ano, o que mostra uma divergência relevante entre o movimento de curtíssimo prazo e a expectativa mais estrutural do mercado.

Wall Street dá um empurrão positivo

A repercussão que chega de Nova York é favorável. S&P 500, Nasdaq e Dow Jones fecharam em alta, com o S&P 500 batendo seu primeiro recorde desde agosto, puxado por Nvidia e AMD. O apetite por risco também se refletiu na Ásia, com Nikkei acima de 70 mil pontos e Hang Seng em alta de 1%, ainda que a Coreia do Sul tenha destoado por conta das gigantes de semicondutores. Esse pano de fundo externo mais construtivo tende a dar suporte à abertura do Ibovespa hoje, mas não anula os ruídos domésticos.

O contraponto que não pode ser ignorado: a inflação

Enquanto o humor eleitoral anima a bolsa, o Boletim Focus trouxe uma notícia menos festejada: a projeção de inflação para 2026 subiu pela terceira vez seguida, para 5,01%, e a estimativa de crescimento do PIB caiu de 1,86% para 1,85%. É um recado que merece atenção redobrada nesta sexta-feira, quando sai o IPCA de setembro — dado que vai calibrar as apostas sobre os próximos passos da Selic, hoje em 13,75% ao ano, com o Copom só voltando a se reunir em novembro.

O que vigiar hoje

Além da reação do Ibovespa futuro e do dólar na abertura, vale acompanhar a curva de juros futura — termômetro direto de como o mercado está equilibrando otimismo eleitoral e piora das expectativas inflacionárias —, o desempenho de bancos (especialmente Banco do Brasil, após a liderança nas perdas de ontem) e a trajetória do petróleo, cujo recuo tem ajudado a aliviar pressões inflacionárias globais. No exterior, a ata do Federal Reserve também entra no radar da semana, assim como o início da temporada de balanços do terceiro trimestre nos EUA, que ganha tração a partir da próxima semana.

Em resumo: o mercado parece estar testando até onde vai o otimismo pós-eleitoral, enquanto tenta não perder de vista que os fundamentos macroeconômicos — inflação e crescimento — seguem contando uma história mais cautelosa.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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