O que moveu o mercado nesta quarta-feira, 12 de agosto
O pregão desta quarta-feira, 12 de agosto, confirmou o que já vinha se desenhando ao longo da semana: o mercado brasileiro segue de olho no cenário político e fiscal, e isso está pesando mais do que qualquer notícia corporativa isolada. O Ibovespa fechou em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, marcando a sétima sessão consecutiva de perdas — um sinal que não pode ser ignorado.
Sete quedas seguidas: o que está por trás disso?
Não dá para falar do fechamento de hoje sem olhar para trás. Na terça-feira, o Ibovespa já havia tombado 2,50%, ao menor nível desde 20 de janeiro, após o JPMorgan rebaixar a recomendação para os ativos brasileiros de compra para neutro. Esse movimento de um banco do porte do JPMorgan tem peso simbólico: reforça a leitura de que parte do capital estrangeiro está reduzindo exposição ao Brasil enquanto a incerteza eleitoral não se dissipa. Hoje, o índice tentou reagir — chegou a marcar 168.309 pontos na máxima — mas não sustentou o fôlego e fechou no vermelho pela sétima vez seguida.
Na minha leitura, esse não é um movimento de um único dia, é acúmulo. Quando o mercado entra em uma sequência assim, geralmente é porque há uma dúvida estrutural no ar — no caso, o ajuste fiscal que qualquer que seja o vencedor das eleições do ano que vem vai precisar entregar. Enquanto essa equação não fica mais clara, é natural ver o capital mais avesso a risco indo para as bordas.
Dólar sobe e reflete a cautela
O dólar acompanhou o humor de aversão a risco por aqui e chegou a ser cotado perto de R$ 5,17 ao longo do pregão, renovando o movimento de alta da véspera. O câmbio tem sido o termômetro mais direto do “risco Brasil” nas últimas semanas: cada notícia do noticiário político encontra eco quase imediato na cotação.
Como reagiram as ações
No campo das empresas, o dia foi de tentativa de recuperação pontual em nomes que haviam apanhado na véspera — Petrobras e Vale buscaram alta depois da queda de terça-feira, ainda que sem força suficiente para puxar o índice para o campo positivo. Já a B3 (dona da própria bolsa) operou entre altas e baixas, digerindo a repercussão do balanço do segundo trimestre. Do lado negativo, Cury e Taesa recuaram após divulgarem seus resultados de 2T26, mostrando que o mercado segue seletivo e não perdoa números abaixo do esperado, mesmo em um dia de tentativa de recuperação geral.
O que vem de fora
Do lado externo, o dia trouxe um alívio relevante: o CPI americano veio em linha com as expectativas, o que reduziu o temor de uma postura mais dura do Federal Reserve no curto prazo. Isso ajudou os futuros de Wall Street, com o Nasdaq avançando cerca de 1% na esteira da recuperação das techs, e os juros dos Treasuries de 2 anos recuaram para 4,18%, refletindo menor aposta em alta de juros na reunião de setembro do Fed. É um contexto externo mais favorável — o problema, por enquanto, está sendo mesmo por aqui.
Minha leitura para o fechamento do dia
O que fica claro nesta quarta-feira é a dissociação entre o ambiente externo, que hoje deu uma trégua, e o ambiente interno, que segue tenso. Isso reforça um ponto que costumo repetir: em momentos de ruído político-fiscal como este, é o “risco Brasil” que dita o tom do pregão, não o cenário global. Vale acompanhar de perto os próximos desdobramentos eleitorais e fiscais — são eles que vão determinar se essa sequência de perdas se estende ou se o mercado encontra um piso técnico nos próximos pregões.
Maickel