O que moveu o mercado nesta quarta-feira, 5 de agosto
O pregão desta quarta-feira, dia 5 de agosto, resumiu bem o momento de transição que os mercados brasileiros atravessam: otimismo pela manhã, cautela à tarde. O Ibovespa chegou a subir mais de 1% logo na abertura, embalado pelo humor positivo do exterior, mas foi perdendo fôlego ao longo do dia e fechou praticamente estável, com queda de 0,09%, aos 177.726 pontos.
O que pesou no fechamento
O principal fator por trás da desaceleração foi a expectativa em torno da decisão do Copom, marcada para o fim da tarde. Com cerca de 95% das apostas do mercado apontando para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic — dos atuais 14,25% para 14% ao ano —, investidores preferiram reduzir posições e esperar a confirmação oficial antes de se comprometer com movimentos mais firmes. Esse é o quinto encontro do ano do comitê, e o ciclo de afrouxamento monetário já soma três cortes consecutivos desde março.
Do lado das ações, o dia foi de pressão sobre as commodities. Petrobras (PETR4) recuou 0,87%, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional, enquanto Vale (VALE3) cedeu 0,16%. Entre as maiores baixas do Ibovespa estiveram siderúrgicas e petroleiras menores, como CSN (CSNA3), que despencou mais de 6%, PetroRio (PRIO3) e PetroReconcâvo (RECV3). Na ponta positiva, destaque para papeis ligados a consumo e construção civil, como Hapvida (HAPV3), Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3), que subiram entre 3% e 5,6%.
Câmbio
O dólar encerrou o dia em leve queda, perto de R$ 5,13 na venda, também influenciado pela postura mais cautelosa do mercado às vésperas da decisão de juros e por um enfraquecimento pontual do dólar no exterior, que aliviou a pressão sobre moedas emergentes de forma geral.
Cenário externo
Lá fora, o clima era de otimismo generalizado. Wall Street voltou a bater recordes: o S&P 500 fechou em alta de 1,79%, puxado pelas gigantes de tecnologia e inteligência artificial, enquanto o Dow Jones subiu 1,71% e o Nasdaq avançou 2,59%. Bolsas europeias e asiáticas também fecharam em terreno positivo. O petróleo, por sua vez, operou em queda — o WTI recuou perto de 0,7% e o Brent cedeu cerca de 0,4% — refletindo expectativas de um possível acordo para reabertura do Estreito de Ormuz, o que ajudaria a destravar parte da oferta global.
Minha leitura
O mercado brasileiro segue numa fase de transição delicada: o ciclo de corte de juros já está avançado, a inflação projetada continua cedendo e o ambiente externo, pelo menos por ora, ajuda mais do que atrapalha. Mas essa combinação de otimismo com exterior forte e cautela com o doméstico tende a se repetir enquanto o Copom não sinalizar com mais clareza até onde pretende levar a Selic. Vale acompanhar o comunicado de hoje com atenção: o tom sobre os próximos passos deve dizer mais sobre a direção da bolsa nas próximas semanas do que o corte em si, que já estava amplamente precificado.
Maickel