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Resumo do mercado — 21 de agosto de 2026: Ibovespa dispara acima dos 171 mil pontos em dia de alívio técnico

O pregão desta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, trouxe um respiro e tanto para quem vinha acompanhando o Ibovespa nas últimas semanas. Depois de uma sequência de oito quedas seguidas que levou o índice a perder 6,12% desde o início do mês, a bolsa brasileira acordou em festa: já na abertura operava em alta, aos 168,8 mil pontos, e ao longo da manhã acelerou até bater máxima intradia de 171.425,56 pontos, avanço de 2,08% sobre o fechamento de quinta-feira, quando o índice havia encerrado praticamente estável, a 167.927 pontos.

Ajuste técnico, não mudança de rota

Vale a pena separar euforia de análise. Marcelo Boragini, da Davos, resumiu bem o momento ao dizer que “depois de forte queda, tem um ajuste natural. Nada além disso”. A leitura que circula entre analistas é que o mercado estava tecnicamente esticado para baixo e o dia de vencimento de opções amplificou o movimento de recompra de posições. Isso não significa, segundo o próprio analista, que a alta vá se sustentar — as preocupações com o cenário fiscal e político doméstico, somadas aos riscos externos, continuam de pé.

Gatilho veio de fora

O combustível da alta foi majoritariamente externo. O Tesouro americano ampliou o volume de recompras de títulos de longo prazo, o que ajudou a acomodar os juros dos Treasuries — mesmo que analistas considerem o efeito prático limitado. O secretário Scott Bessent chegou a sinalizar que pode aumentar ainda mais essas recompras. Esse pano de fundo turbinou o apetite por ativos de risco emergentes: o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) subia mais de 2% em Nova York, indicando fluxo estrangeiro entrando na bolsa local. Do lado dos dados, o PMI de serviços dos EUA saltou para 56,8 em agosto — o maior nível desde dezembro de 2024 —, reforçando a leitura de uma economia americana ainda resiliente.

Câmbio e commodities

O dólar acompanhou o movimento e caiu bem, recuando a R$ 5,16 em determinado momento do dia, depois de operar pela manhã perto de R$ 5,17. Já o petróleo fez o caminho inverso das ações locais, corrigindo depois de cinco altas seguidas — mas ainda caminhando para uma valorização semanal de cerca de 6%. Essa acomodação no petróleo, aliás, ajudou Vale e os bancos, que puxaram o Ibovespa para cima enquanto a Petrobras oscilava sem direção clara.

Destaques do pregão: de Casas Bahia a Vamos

O varejo roubou a cena. Casas Bahia (BHIA3), companhia em recuperação judicial, chegou a disparar mais de 17% na manhã, um movimento chamativo justamente pelo contexto delicado da empresa. Magazine Luiza e Americanas também subiam com força, assim como o frigorífico Minerva (BEEF3), com ganho superior a 6%. No radar das locadoras, Vamos (VAMO3) liderava os ganhos do índice, apoiada por ajuste técnico e por uma leitura mais favorável da curva de juros futuros — o Bradesco BBI, inclusive, reiterou a ação como preferida do setor. Do lado oposto, sobrava pouca coisa: Braskem (BRKM5) seguia isolada entre as maiores quedas, pressionada por negociações em curso com credores e por relatório do Citi que manteve recomendação de venda para o papel, com preço-alvo de R$ 4,50.

Copom fora da mesa, mas no horizonte

Não houve reunião do Copom hoje — a próxima está marcada para 15 e 16 de setembro. Com a Selic em patamar de 14%, o mercado já se posiciona para o debate entre um novo corte de um quarto de ponto ou manutenção, e a ausência de dados domésticos relevantes nesta sexta transformou boa parte da sessão num exercício de posicionamento para a “Super Quarta” do mês que vem.

Outros capítulos do dia

No noticiário corporativo, o Banco do Brasil anunciou parceria com o iFood para ampliar financiamentos de motos, a Embraer recebeu notificação sobre redução de participação da gestora Brandes Investment Partners, e a Vale acompanha de perto o STF, que retomou julgamento bilionário sobre tributação de lucros de controladas no exterior, com placar parcial de 3 a 2 favorável à cobrança e disputa estimada em R$ 22 bilhões. No campo político, o mercado também de olho na pesquisa Datafolha/Globo sobre o cenário eleitoral de outubro, dias depois de o BTG/Nexus mostrar Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico num eventual segundo turno.

Fica o alerta de sempre: os números aqui refletem a sessão até o início da tarde, com o Ibovespa orbitando os 171 mil pontos e o dólar na casa dos R$ 5,16. Vale conferir o fechamento oficial mais tarde para confirmar se o fôlego se manteve até o final do pregão.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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