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Mercado em foco — perspectivas para 1 de setembro de 2026

O mercado brasileiro entra nesta terça-feira em um daqueles dias em que a agenda doméstica compete diretamente com o ruído externo — e o resultado dessa disputa vai definir o tom dos negócios na B3. De um lado, o IBGE divulga pela manhã o PIB do segundo trimestre, número que pode reforçar ou derrubar a narrativa de que a economia brasileira segue crescendo, ainda que em ritmo mais lento. Do outro, Wall Street trouxe na véspera um coquetel de tensão geopolítica e juros americanos mais duros, que tende a manter os investidores em alerta.

O pano de fundo internacional

Os índices americanos fecharam segunda-feira em queda, com o Dow Jones recuando 0,6%, o S&P 500 caindo 0,3% e o Nasdaq perdendo 0,12%, a 26.370,89 pontos. O gatilho foi geopolítico: EUA e Irã trocaram ataques diretos pela primeira vez em mais de um mês, com bombardeio americano a lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak e retaliação do Irã contra bases dos EUA na Jordânia. A resposta imediata do mercado foi nos preços de energia — o Brent subiu 2,7%, a US$ 90,49 o barril, e o WTI avançou 2,8%, a US$ 85,76. Vale o registro histórico: apesar do soluço de segunda, agosto fechou positivo para os três índices americanos, com o Dow emendando o quinto mês seguido de ganhos.

Some-se a isso um Federal Reserve com discurso mais duro. Depois de declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, a probabilidade de alta de juros em setembro nos EUA, medida pelo CME Fedwatch, saltou de pouco mais de um terço para quase 64%. É um ingrediente que tende a limitar o apetite por risco em mercados emergentes como o brasileiro, e o Itaú BBA já vem sinalizando que esse cenário externo mais apertado, somado às incertezas internas, reduz o espaço para otimismo mais generalizado com o real.

O que aconteceu por aqui na véspera

O Ibovespa ignorou parte desse ruído e fechou segunda-feira em alta pelo nono pregão consecutivo, subindo 1%, aos 177.418,78 pontos, com a Petrobras like principal motor do movimento diante do petróleo mais caro. Ainda assim, agosto como um todo fechou no vermelho para o índice, com recuo de 0,33% no mês — um lembrete de que a sequência recente de altas serve mais para recuperar terreno perdido do que para configurar uma tendência linear de otimismo. O volume financeiro do dia, de R$ 30,64 bilhões, também refletiu ajustes do rebalanceamento dos índices MSCI, o que pode ter amplificado movimentos pontuais em algumas ações.

No câmbio, o dólar seguiu a trajetória de enfraquecimento, recuando 0,28% e fechando a R$ 5,1814, com desvalorização acumulada de 5,60% no ano. Parte desse movimento tem explicação política: pesquisas eleitorais recentes — BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg — mostraram um cenário de segundo turno mais equilibrado entre Lula e Flávio Bolsonaro do que se via em levantamentos anteriores, e uma parcela do mercado já precifica esse equilíbrio como fator de menor risco fiscal no curto prazo, ainda que essa leitura esteja longe de ser unânime entre analistas.

O que vale observar hoje

O centro das atenções é o PIB do segundo trimestre. As projeções variam bastante: bancos como Bradesco, Itaú BBA e ASA trabalham com algo entre 0,4% e 0,5% de crescimento trimestral, enquanto o Ministério da Fazenda aposta em um número mais robusto, de 0,8%. Essa diferença não é trivial — um resultado próximo da projeção oficial tende a ser lido como sinal de fôlego da economia e pode dar suporte a ativos locais; já um número abaixo de 0,3% reforçaria o temor, já mencionado por casas como o Itaú BBA, de uma desaceleração mais acentuada nos próximos trimestres. Também estão na agenda a produção industrial de julho e a balança comercial de agosto, dados que ajudam a compor esse quadro de fôlego (ou falta dele) da atividade doméstica.

No fluxo estrangeiro, há um dado que merece atenção: a saída de capital externo da B3 vem perdendo intensidade, com saldo negativo de quase R$ 18,5 bilhões até 27 de agosto, ante R$ 23,2 bilhões uma semana antes. É um sinal de que o pior momento de aversão ao Brasil por parte do investidor de fora pode estar ficando para trás, mas ainda é cedo para falar em reversão consistente de fluxo.

Para os próximos dias, o calendário externo também pesa: nos Estados Unidos, o mercado aguarda o ADP e, principalmente, o payroll de agosto, na sexta-feira — dado que deve ajudar a calibrar de forma mais definitiva as apostas sobre a decisão de juros do Fed em setembro. Com o feriado de Labor Day marcado para a próxima segunda-feira nos EUA, a liquidez em Wall Street tende a ir se reduzindo ao longo da semana, o que pode acentuar movimentos mais bruscos diante de qualquer surpresa nos dados.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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