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Mercado em foco — perspectivas para 21 de outubro de 2026

O mercado brasileiro chega a esta quarta-feira embalado por uma combinação rara de fatores favoráveis: fechamento sólido em Nova York, Ásia em alta firme, futuros europeus positivos e um “trade eleitoral” que segue como o grande vetor de humor dos ativos domésticos a cinco dias do segundo turno. Depois de o Ibovespa fechar terça-feira em alta de 1,57%, aos 208.295,98 pontos — maior nível desde o recorde histórico de 9 de outubro —, a expectativa é de continuidade do movimento, ainda que com volatilidade.

O pano de fundo eleitoral ainda manda no jogo

Não dá para entender o pregão de hoje sem olhar para a disputa presidencial. O segundo turno está marcado para domingo, dia 25, e as pesquisas divulgadas nos últimos dias são, no mínimo, conflitantes. A Real Time Big Data colocou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula, dentro da margem de erro. Já a Data Ranking apontou vantagem de Lula, com 45,4% a 44,6%. E a Vox Brasil, divulgada no fim de semana, deu a Lula 51% a 49%. Esse ruído entre institutos é importante: o mercado tem reagido com entusiasmo às leituras que colocam o candidato do PL na frente — percebido pelos investidores como mais afinado com a pauta de ajuste fiscal —, o que ajuda a explicar tanto a alta da bolsa quanto a queda do dólar, que recuou 0,58% terça-feira, para R$ 5,0189, na terceira queda seguida. Mas a divergência entre pesquisas é um lembrete de que essa aposta ainda é incerta, e qualquer nova rodada de números pode inverter o humor do dia rapidamente.

Exterior dá suporte, mas tecnologia ainda pisa em ovos

Lá fora, o cenário ajuda. Em Nova York, o Dow Jones subiu 1,02% na terça, embora o Nasdaq tenha fechado praticamente estável, com leve queda de 0,02% — sinal de que o apetite por tecnologia segue cauteloso depois da forte liquidação da semana passada associada a papéis ligados à inteligência artificial. Na Ásia, o clima é de recuperação mais robusta: o Nikkei chegou a subir mais de 2% durante o pregão antes de moderar o ganho, e o Kospi abriu com alta de quase 1,8%. Bons resultados de empresas como SpaceX e Super Micro Computer parecem ter aliviado parte do nervosismo recente com o setor de IA, e isso tende a se refletir também na abertura europeia, que opera com viés positivo nos futuros.

Temporada de balanços entra em cena com WEG

Do lado corporativo, hoje é dia de atenção redobrada: começa a temporada de bens de capital do terceiro trimestre, com a WEG divulgando resultados antes da abertura do mercado. As projeções do Bradesco BBI apontam crescimento de receita de 4% na comparação anual — ou 8% em moeda constante —, margem EBITDA de 21,6% e lucro líquido estimado em R$ 1,65 bilhão. É um nome tratado como “queridinho” do mercado, e a reação ao balanço pode servir de termômetro para o apetite por risco em ações domésticas ao longo do dia. A Bradsaúde também reporta números do trimestre, e o radar mais amplo do setor de bens de capital — que inclui Embraer, Marcopolo, Randoncorp e outras — deve trazer resultados mistos, segundo analistas de mercado.

O que vigiar no restante da semana

A agenda não para por aqui. Nesta quarta, o Banco Central brasileiro divulga as estatísticas semanais de fluxo cambial, enquanto no exterior o destaque fica com os dados de inflação do Reino Unido e um discurso da vice-presidente do BCE, Christine Lagarde. Amanhã é a vez do Bradesco apresentar seu balanço, e a semana se encerra com o principal termômetro doméstico: o IPCA-15 de outubro, prévia da inflação oficial, com expectativa de alta mensal de 0,35% — bem abaixo do 0,70% registrado na leitura anterior. Entre balanços, pesquisas eleitorais e indicadores de inflação, a reta final de outubro promete manter os investidores de olho em múltiplas frentes simultaneamente, com o humor do mercado ainda refém, acima de tudo, do resultado das urnas no próximo domingo.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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