Mercado em foco — perspectivas para 22 de outubro de 2026
O pregão desta quinta-feira chega a um momento particularmente delicado para o investidor brasileiro: faltam três dias para o segundo turno da eleição presidencial, o exterior amanheceu com cara de realização de lucros e, à noite, o Bradesco abre a temporada de balanços dos grandes bancos. Não é exagero dizer que hoje é um dia de convergência de notícias — e o mercado tende a refletir essa tensão em volatilidade intradiária, mais do que em uma direção clara e única.
O ponto de partida: a véspera já veio pressionada
Na quarta-feira, o Ibovespa caiu 0,86%, a 206.495,23 pontos, perdendo quase 1.800 pontos em um pregão de volume relevante (R$ 37,1 bilhões). O dólar, por sua vez, encerrou em alta de 0,18%, cotado a R$ 5,0279, interrompendo uma sequência de três dias de queda. Vale o contraponto: mesmo com o soluço de quarta, a bolsa segue com um desempenho expressivo no ano — alta de 10,82% só em outubro e 28,16% em 2026. Ou seja, o movimento de baixa recente parece mais ajuste e cautela pontual do que uma reversão de tendência.
Entre as ações individuais, chamou atenção o tombo de WEG (-7,34%) após balanço do terceiro trimestre considerado decepcionante pelo mercado — um lembrete de que a temporada de resultados também dita humor setorial, não só o pano de fundo macro. Do lado positivo, papéis como TOTS3, TIMS3, MBRF3 e VIVT3 escaparam do movimento de aversão a risco.
A eleição de domingo como variável dominante
É difícil separar o movimento de câmbio e bolsa do fator eleitoral neste momento. A pesquisa Quaest mais recente mostrava empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno, depois de Flávio ter vencido o primeiro turno com folga maior. Esse cenário de indefinição tem elevado a demanda por proteção cambial — o chamado hedge pré-eleitoral —, algo que ajuda a explicar por que o dólar resiste a cair com mais força mesmo em dias de notícia neutra. Até domingo, é razoável esperar que qualquer dado de pesquisa, declaração de campanha ou ruído político tenha potencial de mover o mercado mais do que indicadores econômicos tradicionais.
Exterior: a ressaca do rali de tecnologia
Depois de uma quarta-feira forte em Wall Street, puxada por resultados de empresas como SpaceX e Capital One, a madrugada trouxe reviravolta. Bolsas asiáticas tiveram quedas expressivas — Nikkei (-1,6%), Kospi (-2,6%) e Hang Seng (-2,7%) — lideradas por papéis de semicondutores e tecnologia, como Samsung, SK Hynix e SoftBank. O gatilho parece ser uma dúvida mais ampla: até que ponto o apetite por inteligência artificial sustenta os preços atuais, considerando o custo crescente de financiar a expansão de data centers. Esse movimento de cautela tende a contaminar os futuros americanos e pode se refletir também na abertura brasileira, ainda que o mercado local tenha sua própria agenda para seguir hoje.
Petróleo e commodities no radar
Do lado positivo para ativos ligados a commodities, o Brent segue firme em meio a tensões no Oriente Médio — incluindo ataques a um campo petrolífero saudita — e a uma queda de estoques nos EUA maior que a esperada. Isso tende a dar algum suporte a papéis como Petrobras e Prio, mesmo em um dia de humor global mais cauteloso.
O evento do dia: Bradesco abre a safra bancária
Depois do fechamento do pregão, o Bradesco divulga seus números do terceiro trimestre, oficialmente abrindo a temporada de resultados dos grandes bancos — Santander vem na semana que vem, seguido por Itaú e Banco do Brasil em novembro. O consenso de mercado projeta lucro líquido ajustado de R$ 7,145 bilhões, alta de 15% na comparação anual, com ROE estimado em 15,9%. Vale um adendo técnico: o aumento de capital recente de quase R$ 10 bilhões tende a pressionar momentaneamente esse indicador de rentabilidade, já que o banco precisa crescer o resultado na mesma proporção do patrimônio ampliado. Analistas vão olhar com lupa a evolução da inadimplência e do custo de risco — termômetros de quão sólida é essa recuperação gradual do setor.
O que observar na prática
Operadores citam o patamar de 209.067 pontos como referência de recorde para o Ibovespa e uma faixa de R$ 5,00 a R$ 5,03 como zona de suporte e resistência para o dólar nos próximos pregões. Com a eleição batendo à porta e o exterior mostrando sinais de fadiga no rali de tecnologia, a tendência é de um mercado mais reativo a notícias do que a fundamentos no curto prazo — um ambiente que pede cautela redobrada na leitura de qualquer movimento isolado de preço nos próximos dias.
Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.
— Maickel, colunista de finanças