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Mercado em foco — perspectivas para 25 de setembro de 2026

O pregão desta sexta-feira começa com o mercado brasileiro tentando digerir uma semana de sinais mistos, num momento em que a bolsa acumula perdas e o cenário macro doméstico segue sem grandes catalisadores de otimismo. O Ibovespa fechou quinta-feira em queda de 0,41%, aos 185.229 pontos, encerrando a semana com perda acumulada de 1,06%. Vale, um dos pesos pesados do índice, recuou 1,53% na sessão. Ainda assim, vale registrar que ao longo do próprio pregão de quinta o índice futuro chegou a abrir em baixa e virou para alta — sinal de que o humor por aqui ainda está indefinido, quase um cabo de guerra entre otimismo pontual e cautela estrutural.

Wall Street e commodities dão o tom externo

O cenário internacional não ajuda muito. Os futuros em Nova York indicavam abertura fraca na quinta, com Dow Jones futuro em queda de 0,32%, S&P 500 futuro cedendo 0,61% e Nasdaq futuro recuando 1,07%. Do lado das commodities, o petróleo segue como fator de atenção redobrada: o Brent subia 1,76%, para US$ 104,9 o barril, um patamar que impacta diretamente o humor com Petrobras. É importante contextualizar essa escalada: os preços do petróleo haviam recuado para perto de US$ 70 em meados de junho, após EUA e Irã assinarem um memorando para encerrar o conflito, mas a retomada das hostilidades em setembro, somada à paralisação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, voltou a pressionar o Brent para perto de US$ 100. A Fitch, no entanto, mantém uma leitura mais fria para o médio prazo, projetando que o mercado global de petróleo caminha para um excesso de oferta a partir do quarto trimestre deste ano, com superávit material em 2027 — e mantém a estimativa do Brent em 2026 em US$ 87 o barril. Já o minério de ferro negociado em Dalian fechou estável, a 713,5 iuanes, o que deve manter Vale e CSN Mineração num compasso mais lateral hoje.

Radar macro: crescimento mais fraco, inflação resistente

O panorama doméstico segue sendo o principal condicionante das decisões de alocação. O Banco Central divulgou nesta semana o Relatório de Política Monetária trimestral com piora nas projeções de crescimento: a estimativa para 2026 caiu para 1,8%, ante 2,0% em junho, com expansão de 1,4% projetada para 2027. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária não vê convergência rápida da inflação — o IPCA em 12 meses deve seguir acima do centro da meta de 3%, em torno de 3,1%, até pelo menos o primeiro trimestre de 2029. Chama atenção o contraste com a leitura do Ministério da Fazenda, que nesta semana projetou avanço de 2,0% para o PIB de 2026 e 2,3% em 2027 — um otimismo que soa destoante frente à cautela do BC e que tende a alimentar debates sobre a credibilidade das metas fiscais.

Do lado da confiança, o dado é preocupante: o Índice de Confiança do Consumidor da FGV IBRE caiu para 84,2 pontos em setembro, o menor nível desde novembro de 2022. Na ponta da inflação de curto prazo, o IPC-S da terceira quadrissemana subiu 0,52%, acumulando 3,80% em 12 meses — reforçando que, mesmo com a Selic em trajetória de corte, o bolso do consumidor ainda sente o aperto.

Copom sem reunião, mas discurso ainda cauteloso

Não há decisão de juros hoje, mas o tom da última ata segue ecoando: o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, reforçando a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária, mesmo diante de sinais de desaceleração da atividade e queda recente da inflação. O Boletim Focus já embute mais um corte até dezembro, com o mercado projetando a Selic encerrando o ano em 13,50%.

Dividendos e agenda corporativa

No campo corporativo, duas movimentações relevantes de proventos entram em vigor hoje: as ações da Bradsaúde passam a ser negociadas ex-JCP, com montante total líquido de R$ 206,2 milhões, equivalente a R$ 0,07 por ação. A Panvel segue o mesmo movimento, com valor de R$ 0,12 por ação ex-JCP a partir de hoje — ajustes que os investidores que acompanham essas posições já devem ter no radar.

Fator eleitoral ainda pesa

Por fim, a corrida presidencial de outubro continua sendo fonte relevante de ruído para o mercado doméstico. Pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou o presidente Lula voltando a liderar numericamente as intenções de voto num eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, ainda que os candidatos sigam em empate técnico. Esse tipo de indefinição tende a manter o câmbio e os ativos de risco brasileiros sensíveis a qualquer nova pesquisa ou declaração de peso nas próximas semanas.

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, com curadoria editorial de Maickel.

— Maickel, colunista de finanças

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